segunda-feira, 19 de setembro de 2011
sexta-feira, 9 de setembro de 2011
Portugal e Cabo Verde
"Cabo Verde e Portugal podem fazer mais ao nível cultural e empresarial"
Jorge Carlos Fonseca toma hoje posse como presidente da República de Cabo Verde. Em entrevista, defende que o seu país deve aumentar mais rapidamente o ritmo do crescimento económico.
Jorge Carlos Fonseca surpreendeu na segunda volta das eleições presidenciais cabo-verdianas ao derrotar Manuel Inocêncio, o candidato apoiado pelo PAICV, o partido no governo.
Em entrevista por escrito ao Negócios, diz que o turismo, a hotelaria, as Obras Públicas e a consultoria são boas oportunidades de investimento no seu país. E promete ser "uma mais-valia na governação" de Cabo Verde.
Como é que perspectiva o relacionamento entre Portugal e Cabo Verde?
O relacionamento, nos últimos anos, entre Cabo Verde e Portugal merece uma nota muito positiva, embora esteja consciente de que podemos trabalhar ainda bastante no sentido de aprofundar mais intensamente os nossos laços. Ao nível político, diplomático ou institucional, o nosso relacionamento encontra-se perfeitamente maduro. Mas podemos fazer mais ao nível cultural, empresarial e também no que toca à integração das nossas comunidades. O bom relacionamento com Portugal é algo que procurarei estimular permanentemente durante o exercício do meu mandato.
O investimento português em Cabo Verde está estagnado? Em que áreas pode ser incrementado?
O investimento português em Cabo Verde é sempre bem-vindo. Sabemos que o actual contexto económico-financeiro não é o mais propício para o investimento. A situação de crise em Portugal é conhecida, mas estou convicto de que o governo português e as empresas portuguesas serão capazes de encontrar o rumo mais adequado para sair da crise. Quanto às áreas, eu julgo que as oportunidades existem de forma diversificada e abrangente. Do turismo à hotelaria, às obras públicas, passando por consultorias especializadas em diversos domínios, as oportunidades existem.
Está satisfeito com o nível de desenvolvimento do país? Em que sectores considera necessário reforçar a aposta?
Cabo Verde desenvolveu-se bastante nos últimos 20 anos, mas há ainda um longo caminho a percorrer. Quero que deixe de ser um país subdesenvolvido no mais curto período de tempo. Para isso, precisamos de aumentar o ritmo de crescimento económico - actualmente é de 4% ao ano - ao longo de um período relativamente prolongado no tempo. Só assim conseguiremos aumentar o emprego e garantir um país melhoras gerações vindouras. O governo deve ser responsável por definir esses sectores, mas o que posso dizer é o seguinte: devemos ser capazes de aproveitar a capacidade de investimento das nossas comunidades imigrantes, elas serão a alavanca principal de investimento em Cabo Verde nos próximos anos.
Que papel Cabo Verde deve desempenhar na CPLP? Concorda com a adesão plena da Guiné Equatorial à CPLP?
Cabo Verde pode desempenhar um papel importante ao nível do diálogo político e diplomático. Tenho uma ideia pessoal relativamente à CPLP: entendo que ela deve ser mais uma Comunidade de Povos do que uma Comunidade de Países ou Estados. Questões como a livre circulação de pessoas não deve ser excluída no espaço dessa comunidade... Por que não abrir a discussão a esse assunto? Quanto à Guiné Equatorial, devo dizer com toda a frontalidade que devemos encarar à nossa relação com os países africanos de forma totalmente descomplexada, nunca olvidando a nossa especificidade, o nosso modo de estar no mundo, com os nossos valores e princípios. Se a Guiné Equatorial reunir Condições objectivas, condições políticas, de regime, que lhe permitam aderir à CPLP, não vejo porque o assunto não possa ser discutido e decidido abertamente. Neste momento, julgo que não existem condições objectivas, designadamente ao nível da utilização da língua portuguesa, quer por parte da população, quer por parte da administração do Estado, mas igualmente no que toca a pressupostos atinentes a valores, princípios e ideário minimamente comuns que pudessem favorecer uma tal solução.
Como é que será o seu relacionamento com o governo, levando em linha de conta que o PAICV apoiou outro candidato?
O meu relacionamento será de cooperação leal. Trabalharei em estreita cooperação com o governo naquilo que seja o cumprimento do seu programa eleitoral, legitimamente sufragado pelos cabo-verdianos em Fevereiro deste ano. Não sou o presidente da oposição. Sou um presidente actuante, atento ao país real, empenhado no crescimento económico do meu país e na melhoria objectiva, palpável e mensurável da qualidade de vida dos cabo-verdianos. A minha equidistância é absoluta, quer em relação ao partido do governo, quer em relação aos partidos da oposição.
Mas tal não pode significar alheamento perante os desafios e problemas. Exercerei uma magistratura de influência, política e moral, activa, no quadro das competências que a constituição confere ao presidente da República. O que deve traduzir-se, sempre que necessário, numa mais-valia para a governação. Uma voz, de qualquer modo, diferente, autónoma, construtiva.
Portugal é o principal fornecedor
Em 2010, o investimento português em Cabo verde cresceu 184,8% face a 2009, situando-se nos 30,9 milhões de euros. A construção absorve a fatia de leão dos Investimentos, representando 43,5% do total. A par deste aumento de IDE (investimento directo estrangeiro), o valor em causa está ainda muito distante dos 56,345 milhões de euros que foram contabilizados no ano de 2006. Em termos de balança comercial, Portugal tem sido, nos últimos cinco anos - de 2006 a 2010 -, o primeiro fornecedor de Cabo verde, tendo as exportações atingido os 263,4 milhões de euros.
2011-09-09 08:17
Celso Filipe, Jornal de Negócios
sexta-feira, 22 de julho de 2011
"Home Is Where The Heart Is"
terça-feira, 19 de julho de 2011
O Regresso
sábado, 16 de julho de 2011
Adeus Cabo Verde
É mais doloroso do que imaginava deixar o sítio a que se chamou lar durante seis meses.
Até sempre!
sexta-feira, 15 de julho de 2011
Saudade!
quarta-feira, 13 de julho de 2011
Prova de Fogo
sexta-feira, 8 de julho de 2011
segunda-feira, 27 de junho de 2011
Diário de Bordo: Afogar as Saudades II
domingo, 19 de junho de 2011
Diário de Bordo: Voos Entre Ilhas
Acho extraordinário que, num arquipélago, o preço dos voos entre ilhas seja exorbitante.
Antes de mais é necessário ter em consideração que eu venho dum local onde estou habituada às diversas low cost, com voos e promoções ao preço da chuva. Uma era que nos permite fazer um voo de três horas por apenas 10€.
De qualquer forma, parece-me incrível que num país constituído por ilhas, as pessoas tenham de pagar balúrdios para se deslocar, sendo que muitas são de outras ilhas e poder ir ver os familiares a casa exige um esforço hercúleo, quando se está simplesmente a uns meros cinco minutos de voo.
Vejamos: existem duas companhias aéreas. Nunca viajei com uma delas, pelo que não me sinto à vontade para falar sobre a mesma, embora vários testemunhos me assegurem que, normalmente é cumpridora de horários e tem os preços ligeiramente mais acessíveis (estamos a falar de diferenças de 5 a 10€, no geral). A outra companhia aérea, embora seja a mais divulgada, possui inúmeros e constantes atrasos, pelo simples facto de que a bagagem não possui uma alocação a cada passageiro, ou seja, se um passageiro se atrasa, todo o voo se atrasa à espera do dito cujo ou à procura da respectiva bagagem, para que a mesma fique em terra. Portanto, basicamente estes atrasos devem-se a uma laca noção de organização.
Independentemente do tipo de serviço prestado, ambas as companhias apresentam valores para voo que (em comparação com as promoções que estou habituada a ver noutras paragens) são bastante elevadas, sobretudo tendo em consideração o nível de vida da população e a distância entre as ilhas.
Julgo que quer a população do arquipélago quer uma companhia verdadeiramente low cost teriam a ganhar com a entrada no mercado. Note-se que falo sem o devido conhecimento do valor que é gasto em combustível por cada voo (independentemente do seu tempo de duração deve considerar-se a descolagem e aterragem – não sei até que ponto esses dois momentos são decisivos para as tarifas actualmente em vigor).
No entanto, tenho a certeza que se a tarifa fosse reduzida, haveria muito mais viajantes, nomeadamente cerca de 70% da população que possui origem numa ilha diversa à que se encontra.
sexta-feira, 17 de junho de 2011
Diário de Bordo: Boa Vista
Assim, pelos olhos duma amiga minha, cá fica um testemunho do que é a Boa Vista:
Vídeo de Sónia Costa
quinta-feira, 16 de junho de 2011
Era uma vez uma terra
Uma terra de pouco mais de 50km de comprimento, cuja a língua oficial era rica, mas as gentes insistiam em falar um estranho dialecto, que nem mesmo entre si se entendiam.
Uma terra onde o vento soprava com força diariamente e, mesmo assim, deixariam desactivar as poucas centrais eólicas que possuíam, por falta de investimento e mão de obra especializada.
Uma terra onde não havia frontalidade e coragem para dizer um “não” ou um “não sei” e assim sucediam-se os mal entendidos e esperas inúteis.
Uma terra onde a palavra “horário” tinha entendimentos tão diferentes como o número de seres que a habitavam.
Uma terra em que aparentemente, não havia capacidade para atender o público com um sorriso.
Uma terra onde parecia não haver vontade de aprender e evoluir.
Depois, houve quem conseguisse ver essa terra com outros olhos:
Um dialecto quase tão rico como a língua oficial, mas que tinha ainda um longo caminho a percorrer, como o têm todos os idiomas.
Um vento e sol que seriam devidamente aproveitados, logo que fossem reunidos apoios e condições para tal.
Uma terra onde “horário” era ser prisioneiro e a maior liberdade é não ser escravo do tempo.
Uma terra de sorrisos escondidos pela timidez.
Uma terra onde o ritmo de vida era incompreendido por gentes que vinham do frenesim.
Uma terra de luz, claridade e brilho.
Uma terra de música, sons e misticismo.
Uma terra de poesia e palavras melodiosas.
Uma terra onde se escutavam as vozes das crianças, ao longe, todos os dias, a todos os momentos; vozes com “riso de vida”, como escreveu Vasco Martins.
Uma terra onde se escutava a mãe terra, em todo o seu esplendor.
quarta-feira, 8 de junho de 2011
domingo, 29 de maio de 2011
Diário de Bordo: Cinema na Praia
sexta-feira, 27 de maio de 2011
Diário de Bordo: Momentos
Fomos enviados para a terra de vento.
Não sabendo o que nos esperava,
Embarcámos numa aventura
Que marcaria a nossa juventude.
Entre strelas e kizombas
Cresceu a amizade.
Ficaram momentos de alegria
E a sensação de liberdade.
terça-feira, 24 de maio de 2011
Diário de Bordo: A Água
Já todos ouvimos que a água é fonte vida.
É algo que, no geral, temos tão presente, que nem nos apercebemos da sua vitalidade.
A água é o bem mais precioso que existe.
É tão vital para nós como o ar que respiramos.
Sem água secamos, mirramos, morremos.
Das mais brilhantes invenções do Homem, os sistemas de saneamento foram, possivelmente, o melhor. É extremamente confortável – eu diria até mesmo fundamental –, mas infelizmente grande parte da população mundial não tem acesso a esse “luxo” e quem o tem não lhe dá o devido valor até esta falhar.
"Enquanto o poço não seca, não sabemos dar valor à água." Thomas Fuller
Não é assim de estranhar que o comunicado infra tenha sido um susto para muitos de nós:
EMPRESA DE ELECTRICIDADE E ÁGUA-SARL
COMUNICADO
A Electra, informa aos seus clientes e público em geral na cidade da Praia que, devido a trabalhos de interligação da Rede Nova ao sistema de Distribuição de água existente, executados no âmbito do 3.º Plano Sanitário da Praia, estará impossibilitada de Produzir e Distribuir Água à Capital, durante o período de 23 de Maio a 28 de Maio de 2011.
Assim, vimos alertar aos nossos estimados clientes para a necessidade de, durante os dias que antecedem esse trabalho imprescindível, terem o cuidado de armazenarem água para cobrir o défice do período crítico acima mencionado.
A ELECTRA apela à compreensão dos seus clientes e público em geral, pedindo sinceras desculpas pelos transtornos provocados.
ELECTRA, S.A.R.L
Felizmente, esta ausência temporária é um mal necessário para garantir melhorias substanciais na rede de saneamento. Um pequeno passo, que fará uma enorme diferença.
A superfície do nosso planeta é constituída por 70% de água. Embora grande parte seja salgada, graças aos avanços da ciência e tecnologia, a água está disponível para quase todos, se forem utilizados métodos adequados para a obter. Para tal, são por vezes necessários investimentos avultados, pelo que não é de estranhar que apenas cerca de 46% da população africana possua água potável.
De acordo com dados das Nações Unidas, mais de um bilião de pessoas não tem acesso a água segura para beber, higiene pessoal e uso médico, sendo que estes números representam cerca de 20% da população mundial.
A falta de água e consequente falta de higiene são um dos principais problemas que muitos países enfrentam para conseguirem progredir.
Foi desenvolvido um programa para ajudar as pessoas a terem acesso a água potável:
Outra pessoa que dá um enorme contributo para esta causa é o admirável Ryan Hreljac:
A água é vida, mas realmente apenas quando nos falta valorizamos aquilo que parecemos ter à mão tão facilmente, á distância dum click numa torneira. Talvez seja boa ideia recordarmos isto de todas as vezes que estivermos prestes a deixar a torneira correr ininterruptamente.











