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segunda-feira, 19 de setembro de 2011

Saudades de Cabo Verde

Quase que voltámos a Cabo Verde: uma tarde carregada de boicotes e imprevistos; uma noite recheada de gargalhadas...
Foi sentida a ausência dos que não puderam estar presentes, mas bebemos um copo por todos eles ;)
Alguns (dos poucos) momentos registados:





















sexta-feira, 9 de setembro de 2011

Portugal e Cabo Verde

Entrevista - Jorge Carlos Fonseca, Presidente da República de Cabo Verde
"Cabo Verde e Portugal podem fazer mais ao nível cultural e empresarial"

Jorge Carlos Fonseca toma hoje posse como presidente da República de Cabo Verde. Em entrevista, defende que o seu país deve aumentar mais rapidamente o ritmo do crescimento económico.
Jorge Carlos Fonseca surpreendeu na segunda volta das eleições presidenciais cabo-verdianas ao derrotar Manuel Inocêncio, o candidato apoiado pelo PAICV, o partido no governo.

Em entrevista por escrito ao Negócios, diz que o turismo, a hotelaria, as Obras Públicas e a consultoria são boas oportunidades de investimento no seu país. E promete ser "uma mais-valia na governação" de Cabo Verde.

Como é que perspectiva o relacionamento entre Portugal e Cabo Verde?
O relacionamento, nos últimos anos, entre Cabo Verde e Portugal merece uma nota muito positiva, embora esteja consciente de que podemos trabalhar ainda bastante no sentido de aprofundar mais intensamente os nossos laços. Ao nível político, diplomático ou institucional, o nosso relacionamento encontra-se perfeitamente maduro. Mas podemos fazer mais ao nível cultural, empresarial e também no que toca à integração das nossas comunidades. O bom relacionamento com Portugal é algo que procurarei estimular permanentemente durante o exercício do meu mandato.

O investimento português em Cabo Verde está estagnado? Em que áreas pode ser incrementado?
O investimento português em Cabo Verde é sempre bem-vindo. Sabemos que o actual contexto económico-financeiro não é o mais propício para o investimento. A situação de crise em Portugal é conhecida, mas estou convicto de que o governo português e as empresas portuguesas serão capazes de encontrar o rumo mais adequado para sair da crise. Quanto às áreas, eu julgo que as oportunidades existem de forma diversificada e abrangente. Do turismo à hotelaria, às obras públicas, passando por consultorias especializadas em diversos domínios, as oportunidades existem.

Está satisfeito com o nível de desenvolvimento do país? Em que sectores considera necessário reforçar a aposta?
Cabo Verde desenvolveu-se bastante nos últimos 20 anos, mas há ainda um longo caminho a percorrer. Quero que deixe de ser um país subdesenvolvido no mais curto período de tempo. Para isso, precisamos de aumentar o ritmo de crescimento económico - actualmente é de 4% ao ano - ao longo de um período relativamente prolongado no tempo. Só assim conseguiremos aumentar o emprego e garantir um país melhoras gerações vindouras. O governo deve ser responsável por definir esses sectores, mas o que posso dizer é o seguinte: devemos ser capazes de aproveitar a capacidade de investimento das nossas comunidades imigrantes, elas serão a alavanca principal de investimento em Cabo Verde nos próximos anos.

Que papel Cabo Verde deve desempenhar na CPLP? Concorda com a adesão plena da Guiné Equatorial à CPLP?
Cabo Verde pode desempenhar um papel importante ao nível do diálogo político e diplomático. Tenho uma ideia pessoal relativamente à CPLP: entendo que ela deve ser mais uma Comunidade de Povos do que uma Comunidade de Países ou Estados. Questões como a livre circulação de pessoas não deve ser excluída no espaço dessa comunidade... Por que não abrir a discussão a esse assunto? Quanto à Guiné Equatorial, devo dizer com toda a frontalidade que devemos encarar à nossa relação com os países africanos de forma totalmente descomplexada, nunca olvidando a nossa especificidade, o nosso modo de estar no mundo, com os nossos valores e princípios. Se a Guiné Equatorial reunir Condições objectivas, condições políticas, de regime, que lhe permitam aderir à CPLP, não vejo porque o assunto não possa ser discutido e decidido abertamente. Neste momento, julgo que não existem condições objectivas, designadamente ao nível da utilização da língua portuguesa, quer por parte da população, quer por parte da administração do Estado, mas igualmente no que toca a pressupostos atinentes a valores, princípios e ideário minimamente comuns que pudessem favorecer uma tal solução.

Como é que será o seu relacionamento com o governo, levando em linha de conta que o PAICV apoiou outro candidato?
O meu relacionamento será de cooperação leal. Trabalharei em estreita cooperação com o governo naquilo que seja o cumprimento do seu programa eleitoral, legitimamente sufragado pelos cabo-verdianos em Fevereiro deste ano. Não sou o presidente da oposição. Sou um presidente actuante, atento ao país real, empenhado no crescimento económico do meu país e na melhoria objectiva, palpável e mensurável da qualidade de vida dos cabo-verdianos. A minha equidistância é absoluta, quer em relação ao partido do governo, quer em relação aos partidos da oposição.
Mas tal não pode significar alheamento perante os desafios e problemas. Exercerei uma magistratura de influência, política e moral, activa, no quadro das competências que a constituição confere ao presidente da República. O que deve traduzir-se, sempre que necessário, numa mais-valia para a governação. Uma voz, de qualquer modo, diferente, autónoma, construtiva.


Portugal é o principal fornecedor

Em 2010, o investimento português em Cabo verde cresceu 184,8% face a 2009, situando-se nos 30,9 milhões de euros. A construção absorve a fatia de leão dos Investimentos, representando 43,5% do total. A par deste aumento de IDE (investimento directo estrangeiro), o valor em causa está ainda muito distante dos 56,345 milhões de euros que foram contabilizados no ano de 2006. Em termos de balança comercial, Portugal tem sido, nos últimos cinco anos - de 2006 a 2010 -, o primeiro fornecedor de Cabo verde, tendo as exportações atingido os 263,4 milhões de euros.
2011-09-09 08:17
Celso Filipe, Jornal de Negócios

sexta-feira, 22 de julho de 2011

"Home Is Where The Heart Is"

Voltar é sempre estranho, conforme tentei descrever no post anterior.
Ao fim de quase uma semana, a pessoa começa a habituar-se a tudo o que é simultaneamente novo e familiar, o que nos dá a certeza absoluta de que o ser humano é uma espécie de hábitos e rotinas. Tudo é uma questão de habituação. E tudo são fases na vida, porque o mundo (e nós próprios com ele) estamos em constante mutação.
Todas essas fases são apenas estados pelos quais vamos passando e assim vivemos neste incessante ciclo a que se chama vida. A aceitação deste facto é o caminho para a paz interior.
Voltar a casa é um misto de sensações, é o fim dum ciclo, é um novo começo, é um momento de reflexão, onde nos debruçamos sobre a pessoa que éramos quando partimos e a pessoa que somos ao voltar. Essa reflexão é consequência do convívio com as pessoas, sobretudo numa experiência deste tipo em que voltamos a conviver com pessoas que nos eram ou que nos são tão próximas e que nos acompanham ou acompanharam à sua própria maneira ao longo dos meses de ausência.
É no convívio com os outros que encontramos uma parte de nós. E é no convívio connosco próprios que encontramos a outra.

terça-feira, 19 de julho de 2011

O Regresso

Quando embarquei nesta experiência não sabia o que me esperava.
Depois da primeira semana em Cabo Verde nunca pensei que me custasse tanto regressar à tugalândia.
Sinto agora falta daquilo a que chamava poluição sonora. Por cá, o silêncio apodera-se de tudo. Não se ouvem discotecas ambulantes a passar, nem alarmes a disparar, nem carros a buzinar, nem crianças a gritar, nem pessoas a falar.
Despertar na escuridão, sem a força da luz matinal a entrar pela janela foi estranho.
Para me receber o meu querido Porto brindou-me com a sua adorável chuvinha. Não posso dizer que tenha ficado triste (visto que já não via chover há seis meses) e este tempo ajudou a sentir-me em casa (pois esteve assim nos dias antes da partida).
O calor também parece ter ficado por lá. Para além da chuva, está invulgarmente frio para a época, sobretudo à noite (voltar a dormir de cobertor é esquisito).
E, acima de tudo, a luz é diferente. Independentemente da chuva (ontem o tempo estava melhorzinho), a luz daqui é mais baça, mais sombria, menos intensa, menos gloriosa.
Apesar de tudo, é uma sensação agridoce: também é bom estar de volta.
A nostalgia esvair-se-á lentamente com novos projectos, novas vivências, novo movimento e, com a certeza, de que há coisas que ficam. 

sábado, 16 de julho de 2011

Adeus Cabo Verde


É mais doloroso do que imaginava deixar o sítio a que se chamou lar durante seis meses.
Até sempre!

sexta-feira, 15 de julho de 2011

Saudade!

As ilhas são lugares ingratos.
Lugares de passagem para muitos e de permanência para uma minoria que observa o mundo a chegar e a partir continuamente nas suas fronteiras oceânicas e celestes.
Cabo Verde tem esse sentimento de saudade em comum com milhares de outras ilhas espalhadas pelo mundo e, em particular, com as também vulcânicas ilhas dos Açores.
Uma terra de alegria, descontracção e, acima de tudo, música.
Uma terra de ritmos e melodias que parecem expressar tão bem aquilo que não se consegue dizer por palavras. Mornas e coladeiras visitarão para sempre o imaginário de quem passa por esta terra.
Tudo o que deixamos para trás, permanecerá cá dentro com enorme carinho: a irmandade da tartaruga, as banquinhas do sucupira, o bolo de banana da Chantelle, as noites dançantes no Fogo D’África, os serões musicais no 5al da Música, a simpatia da D. Antónia, a delicadeza da D. Alia, o exotismo do restaurante indiano, o gratinado de peixe do Mediterrâneo, os gelados do Ártica, o charme do Kapa, as tardes de domingo com música ao vivo no Kebra, as horas de almoço na piscina, os mergulhos no mar, as viagens pelo interior de Santiago, as idas ao Tarrafal, as intermináveis praias da Boa Vista, os deslumbrantes vales de Santo Antão, a singularidade de S. Vicente, o cheiro e sabores do Fogo, o céu repleto de estrelas tão próximas, o som do mar da esplanada do bar do hotel, a aridez da terra e o seu cheiro forte, penetrante, intenso.
Um misto de vontade de regressar e vontade de ficar.
Quem traz a música consigo, traz tudo.

quarta-feira, 13 de julho de 2011

Prova de Fogo

Nunca compreendi a paixão de muitas pessoas por escalada e/ou duras provas de esforço.
Adoro caminhadas em pisos planos e trilhos relativamente bem definidos. Escalada: nem por isso.
Bom, decidi um pouco inconscientemente (ou devo dizer conscientemente, uma vez que o cérebro não se decidia, mas a intuição dizia para não ir e o primeiro acabou por escolher) subir o trilho por onde muitos haviam passado e falavam maravilhas dessa experiência.
Devo referir que quando cheguei às ilhas tinha uma enorme vontade desta experiência, mas depois de me informar e ver as fotos dos primeiros exploradores do grupo, a vontade caiu por terra. E não voltou. Não voltou até que duas pessoas com quem me dou bastante bem me convenceram mais pela companhia do que pela experiência a enveredar por este desafio.
A ilha é bonita na sua simplicidade e exotismo. A capital faz lembrar as antigas vilas portuguesas e cada casinha tem uma colorida e calorosa fachada. Existem algumas praças agradáveis com banquinhos, alguma vegetação e vestígios do que teriam sido fontes, mas são agora apenas pequenos blocos de pedra que a água não abraça (não é estranho, uma vez que a falta de água é uma constante neste pequeno cantinho árido). Uma praia de areias negras é banhada pelo melancólico balanço do mar (que dizem ser bravo, por aqui). E, de lá, avista-se o que parece ser uma montanha a nascer do seio dessa bravura, com a nuvem suspensa que a adorna.
Prosseguimos para o interior.
A paisagem é semelhante à de outras ilhas. A aridez enfeitada por árvores esporádicas que parecem resistir às condições mais adversas. Ao chegar ao desejado lugar, o que os olhos vêem é um cenário único. A terra parece ter-se vestido de negro. Uns cumes aqui e ali e alguns pontos de pedra a rodear a paisagem. E um majestoso cone na sua escuridão impõe-se: a cratera dentro da cratera. Esta visão parece saída dum outro planeta.
Ao anoitecer o cenário é ainda mais apocalíptico. Pareceria mesmo que estaríamos na lua com um céu definido e as estrelas tão próximas, não fosse ela nessa noite brilhar num delicioso quarto minguante, iluminando aquelas casinhas e caminhos de pedra.
O serão dessa noite foi breve. Pelas 21h já estávamos recolhidos (para além da electricidade ser contada e poupada até ao limite), no dia seguinte acordávamos ainda antes do sol, para a longa caminhada que nos aguardava.
Bom, chegado o tão ansiado e temido momento, lá nos largamos pelo sinuoso caminho de pedra até ao cume. Esta parte muitos não a referem, mas na realidade o caminho até ao cume é de cerca de uma hora, caminho esse que terá de ser percorrido novamente no regresso.
Apenas após este período se inicia a subida. A tão famosa subida é mais uma escalada do que propriamente uma caminhada, nomeadamente nos metros finais (que mais parecem intermináveis quilómetros).
Sim: eu pensei eu desistir. Acho que todos pensam. Inicialmente ainda cá em baixo quando seria mais fácil voltar atrás e, depois, já nesses metros finais: os sempre quase, quase a chegar à cratera. Posso dizer que devo ao guia ter continuado, sobretudo no momento em que ele me informou que desceríamos por esse mesmo trilho e parecíamos estar tão perto e simultaneamente tão longe do final dessa dura prova de esforço em que estávamos metidos.
Estava triste, fatigada, desanimada. O cansaço apoderou-se de mim de forma violenta. Questionei-me o que me havia trazido até ali, percorrer algo que não queria percorrer, fazer algo que na realidade não queria ardentemente fazer. Seriam as pessoas exteriores? Porque todos o fizeram e acharam bestial, também fazemos o mesmo, como se essa fosse também a nossa vontade? Seria a sensação de fazer parte do grupo dos que conseguiram? É assim tão necessária a aprovação dos outros? Ou a nossa própria aprovação depende do reflexo dos outros? Quantas vezes cedemos a pequenos caprichos que julgamos ser nossos, quando na realidade não o são?
Nota pessoal 1: não ceder a pressões exteriores.
Deveria ter escutado a minha intuição.
Nota pessoal 2: quando a razão está em dúvida, escutar aquele sexto sentido que temos cá dentro é, sem dúvida, a melhor opção.
Embora o cenário durante a escalada seja interessante: as nuvens debaixo dos nossos pés, as íngremes pedras que vamos percorrendo, a nossa sombra reflectida na negrura; estava tão fatigada, tão sem fôlego, tão fisicamente estafada que nem conseguia desfrutar devidamente cada pormenor.
Quando finalmente atingimos o topo (e o cheiro a enxofre atingiu o seu máximo), tal como esperava, todo aquele esforço hercúleo não foi, a meu ver, compensador. A paisagem é bonita, mas não deslumbrante: não corta a respiração (já de si cortada da subida).
As nuvens pareciam nascer da base e, embora dessem um ar feérico ao todo, impediam de ver aquilo que a meu ver talvez pudesse ser compensador: o mar – sempre o mar. Em todo o seu esplendor e a banhar cada curva da ilha.
Até hoje vi apenas três paisagens que valem, para mim, um esforço desta natureza (acho que ainda não viajei o suficiente – e haverá tal coisa como viajar o suficiente?). Embora nenhuma das três seja um cenário totalmente natural (excepção para a passagem aérea sobre o Grand Canyon que pela amostra será uma de muitas belezas naturais que valem essa escalada), são um deslumbramento pelo enquadramento, magia e perfeita harmonia. O trio pelo qual perderia o fôlego para os olhos se banquetearem novamente com festins assim são: as sinuosas e recônditas ruas e canais venezianos, a Baía da Guanabara vista do Cristo Rei e, claro, Abu-Simbel.
Assim, e contrariamente ao que todos disseram, não acho que valha a pena um esforço sobre-humano para a contemplação deste cenário.
Ao observar o interior dessa segunda cratera e todos os nomes deixados por viajantes que por lá passaram, imaginei que um dia tudo seria varrido pela chuva de fogo do vulcão. Isso sim seria um cenário deslumbrante e único. Seria também o último que testemunharíamos: fascinante e aterrador. Mas imaginei. Imaginei um mar de chamas a erguer-se e a varrer aquelas letras. Assim como todos nós um dia seremos um dia varridos da face da Terra. Não nós: matéria. Passaremos a fazer parte do corpo terrestre: transformação. Mas nós como seres pensantes, pessoas com alma, desejos, alegrias, receios, pensamentos e sonhos.
Repousámos um pouco no topo. Escutámos histórias dos guias e confraternizamos com um outro viajante, um professor alemão que havíamos conhecido na véspera.
Iniciámos a descida (supostamente um dos momentos altos). Não posso negar que é fascinante admirar uma estrada de pedras negras quase tão íngreme como a parede duma casa. Descer por ali é enterrar-mo-nos em pedrinhas até às canelas, ficar com o calçado repleto de areia, duplicar o cansaço das pernas e definir as maleitas nos pobres pezinhos (que o diga o meu pezito direito que ficou com duas feridas e uma bolha).
Depois de três sacudidelas das pedritas dos sapatos, as meias não resistiram e os pés estavam quase tão negros como o chão).
Quando chegámos à base, a uma hora de caminho, mal podia crer. Tive de me apoiar numa das bengalas do guia (já para não falar que desci com o apoio da sua mão).
No fim, acho que nunca fiquei tão contente por me descalçar e alcançar uma garrafa de água.
Recomendo vivamente a quem gostar de escalada. É uma experiência interessante.
Para todos os outros, a menos que adorem provas de esforço e sejam fisicamente resistentes, não acho que valha a pena subir. Vale a pena ver a ilha, mas a subida é demasiado para o que se contempla. Há quem considere que se trata dum desafio para connosco próprios...
Eu continuo a preferir longas caminhadas por terrenos mais planos, preferencialmente à beira-mar. 

Dedicado aos meus resistentes companheiros de viagem e ao nosso paciente e generoso guia.

segunda-feira, 27 de junho de 2011

Diário de Bordo: Afogar as Saudades II

Quando se chega, depois de passar a novidade, ficam as saudades: daquele restaurantezinho à beira-mar, daquele italiano perto da ponte, da esplanada com vista para o rio, das torradas com sumo de laranja ao lado da Capelinha, de cada aniversário, de cada festa, de cada convívio, de cada momento de que se abdica ao aceitar a partida e, acima de tudo, das pessoas. Daqueles pequeninos encontros diários ou semanais que agora nos parecem tão longínquos. Da assídua presença dos que mais nos tocam.
Depois, apesar de todas as coisas boas que se cruzam no nosso dia-a-dia, há essa enorme vontade de voltar ou de relembrar o que ficou lá atrás, em suspensão.
Mas, ao fim de algum tempo, cada novo pedaço da nossa caminhada diária vai ganhando um lugar cada vez mais forte. Vai ganhando um lugar especial e único, até que, sem nos darmos conta, essa mansidão com que entrou, já se intrincou em nós e faz parte do que somos. E, como em tudo na vida, é ao aproximar-se a recta final que as saudades ou o vislumbre do que serão saudades começa a aparecer de forma intensa. A sensação de que é precioso o que se vai deixar e é imenso o que a jornada nos trouxe. Tentamos desesperadamente agarrar cada momento, como se pudéssemos impedir que o tempo suspendesse o seu incansável percurso.
“Os que vivem intensamente não têm medo de morrer.” Anais Nin

Diário de Bordo: Imagens






domingo, 19 de junho de 2011

Diário de Bordo: A Melhor Voz


Lucy: a melhor cantora de Cabo Verde com os seus fãs mais fervorosos, no 5al da Música!

Diário de Bordo: Jam Sessions

Diário de Bordo: Voos Entre Ilhas

Acho extraordinário que, num arquipélago, o preço dos voos entre ilhas seja exorbitante.

Antes de mais é necessário ter em consideração que eu venho dum local onde estou habituada às diversas low cost, com voos e promoções ao preço da chuva. Uma era que nos permite fazer um voo de três horas por apenas 10€.

De qualquer forma, parece-me incrível que num país constituído por ilhas, as pessoas tenham de pagar balúrdios para se deslocar, sendo que muitas são de outras ilhas e poder ir ver os familiares a casa exige um esforço hercúleo, quando se está simplesmente a uns meros cinco minutos de voo.

Vejamos: existem duas companhias aéreas. Nunca viajei com uma delas, pelo que não me sinto à vontade para falar sobre a mesma, embora vários testemunhos me assegurem que, normalmente é cumpridora de horários e tem os preços ligeiramente mais acessíveis (estamos a falar de diferenças de 5 a 10€, no geral). A outra companhia aérea, embora seja a mais divulgada, possui inúmeros e constantes atrasos, pelo simples facto de que a bagagem não possui uma alocação a cada passageiro, ou seja, se um passageiro se atrasa, todo o voo se atrasa à espera do dito cujo ou à procura da respectiva bagagem, para que a mesma fique em terra. Portanto, basicamente estes atrasos devem-se a uma laca noção de organização.

Independentemente do tipo de serviço prestado, ambas as companhias apresentam valores para voo que (em comparação com as promoções que estou habituada a ver noutras paragens) são bastante elevadas, sobretudo tendo em consideração o nível de vida da população e a distância entre as ilhas.

Julgo que quer a população do arquipélago quer uma companhia verdadeiramente low cost teriam a ganhar com a entrada no mercado. Note-se que falo sem o devido conhecimento do valor que é gasto em combustível por cada voo (independentemente do seu tempo de duração deve considerar-se a descolagem e aterragem – não sei até que ponto esses dois momentos são decisivos para as tarifas actualmente em vigor).

No entanto, tenho a certeza que se a tarifa fosse reduzida, haveria muito mais viajantes, nomeadamente cerca de 70% da população que possui origem numa ilha diversa à que se encontra.

sexta-feira, 17 de junho de 2011

Diário de Bordo: Boa Vista

Dizem que uma imagem vale mais do que mil palavras; então se for um vídeo... Bom, não fica nada por dizer.
Assim, pelos olhos duma amiga minha, cá fica um testemunho do que é a Boa Vista:

Vídeo de Sónia Costa

quinta-feira, 16 de junho de 2011

Diário de Bordo: as chávenas do k

Era uma vez uma terra

Primeiro era uma terra de ruído:
Uma terra de pouco mais de 50km de comprimento, cuja a língua oficial era rica, mas as gentes insistiam em falar um estranho dialecto, que nem mesmo entre si se entendiam.
Uma terra onde o vento soprava com força diariamente e, mesmo assim, deixariam desactivar as poucas centrais eólicas que possuíam, por falta de investimento e mão de obra especializada.
Uma terra onde não havia frontalidade e coragem para dizer um “não” ou um “não sei” e assim sucediam-se os mal entendidos e esperas inúteis.
Uma terra onde a palavra “horário” tinha entendimentos tão diferentes como o número de seres que a habitavam.
Uma terra em que aparentemente, não havia capacidade para atender o público com um sorriso.
Uma terra onde parecia não haver vontade de aprender e evoluir.
Depois, houve quem conseguisse ver essa terra com outros olhos:
Um dialecto quase tão rico como a língua oficial, mas que tinha ainda um longo caminho a percorrer, como o têm todos os idiomas.
Um vento e sol que seriam devidamente aproveitados, logo que fossem reunidos apoios e condições para tal.
Uma terra onde “horário” era ser prisioneiro e a maior liberdade é não ser escravo do tempo.
Uma terra de sorrisos escondidos pela timidez.
Uma terra onde o ritmo de vida era incompreendido por gentes que vinham do frenesim.
Uma terra de luz, claridade e brilho.
Uma terra de música, sons e misticismo.
Uma terra de poesia e palavras melodiosas.
Uma terra onde se escutavam as vozes das crianças, ao longe, todos os dias, a todos os momentos; vozes com “riso de vida”, como escreveu Vasco Martins.
Uma terra onde se escutava a mãe terra, em todo o seu esplendor.

domingo, 29 de maio de 2011

Diário de Bordo: Cinema na Praia

http://www.expressodasilhas.sapo.cv/pt/noticias/detail/id/23290

sexta-feira, 27 de maio de 2011

Diário de Bordo: Momentos



Fomos enviados para a terra de vento.
Não sabendo o que nos esperava,
Embarcámos numa aventura
Que marcaria a nossa juventude.
Entre strelas e kizombas
Cresceu a amizade.
Ficaram momentos de alegria
E a sensação de liberdade.

terça-feira, 24 de maio de 2011

Diário de Bordo: A Água

Já todos ouvimos que a água é fonte vida.

É algo que, no geral, temos tão presente, que nem nos apercebemos da sua vitalidade.

A água é o bem mais precioso que existe.

É tão vital para nós como o ar que respiramos.

Sem água secamos, mirramos, morremos.

Das mais brilhantes invenções do Homem, os sistemas de saneamento foram, possivelmente, o melhor. É extremamente confortável – eu diria até mesmo fundamental –, mas infelizmente grande parte da população mundial não tem acesso a esse “luxo” e quem o tem não lhe dá o devido valor até esta falhar.

"Enquanto o poço não seca, não sabemos dar valor à água." Thomas Fuller

Não é assim de estranhar que o comunicado infra tenha sido um susto para muitos de nós:

EMPRESA DE ELECTRICIDADE E ÁGUA-SARL

COMUNICADO

A Electra, informa aos seus clientes e público em geral na cidade da Praia que, devido a trabalhos de interligação da Rede Nova ao sistema de Distribuição de água existente, executados no âmbito do 3.º Plano Sanitário da Praia, estará impossibilitada de Produzir e Distribuir Água à Capital, durante o período de 23 de Maio a 28 de Maio de 2011.

Assim, vimos alertar aos nossos estimados clientes para a necessidade de, durante os dias que antecedem esse trabalho imprescindível, terem o cuidado de armazenarem água para cobrir o défice do período crítico acima mencionado.

A ELECTRA apela à compreensão dos seus clientes e público em geral, pedindo sinceras desculpas pelos transtornos provocados.

ELECTRA, S.A.R.L

Felizmente, esta ausência temporária é um mal necessário para garantir melhorias substanciais na rede de saneamento. Um pequeno passo, que fará uma enorme diferença.

A superfície do nosso planeta é constituída por 70% de água. Embora grande parte seja salgada, graças aos avanços da ciência e tecnologia, a água está disponível para quase todos, se forem utilizados métodos adequados para a obter. Para tal, são por vezes necessários investimentos avultados, pelo que não é de estranhar que apenas cerca de 46% da população africana possua água potável.

De acordo com dados das Nações Unidas, mais de um bilião de pessoas não tem acesso a água segura para beber, higiene pessoal e uso médico, sendo que estes números representam cerca de 20% da população mundial.

A falta de água e consequente falta de higiene são um dos principais problemas que muitos países enfrentam para conseguirem progredir.

Foi desenvolvido um programa para ajudar as pessoas a terem acesso a água potável:

http://www.wateraid.org/uk/

Outra pessoa que dá um enorme contributo para esta causa é o admirável Ryan Hreljac:

http://www.ryanswell.ca/

A água é vida, mas realmente apenas quando nos falta valorizamos aquilo que parecemos ter à mão tão facilmente, á distância dum click numa torneira. Talvez seja boa ideia recordarmos isto de todas as vezes que estivermos prestes a deixar a torneira correr ininterruptamente.