quinta-feira, 16 de setembro de 2010

Principle 8: Part II

A felicidade depende de nós próprios. É uma escolha diária.

Eu Amo o Porto

Não é por ser a cidade onde eu nasci. Pronto! Pronto! Talvez seja um bocadinho por ser a cidade onde eu nasci: eu amo o Porto! Reconheço-lhe um encanto muito peculiar. Gosto desta cidade! Gosto da atmosfera da cidade. Gosto da altivez da Foz, da alegria colorida da Ribeira e do seu cubo futurista, dos cheiros a fruta e verduras do Bolhão, da imponência cinzenta dos Aliados (aliás gosto do nome Aliados por tudo o que simboliza e por ser único no país), das figuras exóticas que vivem no Jardim Botânico, das sombras frescas nos jardins do Palácio de Cristal ou Pavilhão Rosa Mota, do ambiente nocturno na Praça dos Leões e consequentes ruas, ruinhas e ruelas que se enchem de gente a cada novo anoitecer. Gosto da Sé, dos Clérigos, das pontes, da muralha Fernandina, da praça do Marquês, da marina e Palácio do Freixo… Gosto do Douro, este belo rio que banha a nossa cidade - que sobe ou desce ao sabor da chuva. Há duas coisas que não sendo do Porto, estão mesmo ao seu lado e tornam este lugar ainda mais especial: a admirável e apelativa costa de Vila Nova de Gaia com as suas intermináveis praias e a incomparável visão que se obtém da zona ribeirinha de Gaia, da qual se pode admirar o Porto no seu esplendor. Vila Nova de Gaia tem muitos outros encantos, mas creio que a maior riqueza de ambas as cidades é que se complementam.
Para além de toda esta beleza cénica, temos também outras maravilhas. A que mais me delicia tem nome de estrangeiro – mas é absolutamente irresistível: francesinha! Haverá algo mais gostoso do que deliciarmo-nos com uma apetecível francesinha? Parece que já estou a ver o molho a borbulhar, as batatas fritas quase imersas no molho, o queijo derretido a tapar completamente o pão espesso, uma garfada enorme com o apetite gigante na boca. Nham!!!
Este nosso Porto de abrigo encantador, deslumbra todos os que por aqui passam.

quarta-feira, 15 de setembro de 2010

"Faith is taking the first step even when you don't see the whole staircase." Martin Luther King

Principle 8: Life and The Pursuit of Happiness

Dos princípios básicos norte-americanos consta algo que considero excepcional: o alienável direito que cada cidadão tem to The Pursuit of Happiness.
De acordo com artigos científicos recentes, são de salientar alguns aspectos essenciais para atingir a tão desejada (e utópica?) felicidade.
Assim sendo, de acordo com os ditos, saliento o seguinte:

- Sentido de humor.
O humor ajuda a libertar do stress. A capacidade de rir-se de si próprio é libertadora. Não levar a vida demasiado a sério é uma atitude positiva e inteligente. O humor é capaz de curar.
Sempre achei incrível o poder de uma gargalhada e, se de facto, os estudos que têm vindo a ser realizados estão correctos, o sentido de humor é – talvez – o mais poderoso elixir de felicidade. Está provado que rir ou apenas sorrir provoca a libertação de endorfinas, também conhecidas por hormonas da felicidade, tornando – efectivamente - as pessoas mais felizes.
(Isto é uma descoberta magnífica! Ora então, se uma pessoa está triste, apenas tem de sorrir para afastar os sentimentos menos agradáveis. (Já dizia Walt Whitman: Alegria! Alegria! Alegria sempre!) Ou como defendeu Espinosa: o segredo para superar um determinado sentimento é interiorizarmos e/ou concentrarmo-nos no sentimento que se lhe opõe. Verdade ou não só mesmo experimentando e, se for, como quase tudo na vida, só ao fim de muito treino se atinge a perfeição.
E, para dar umas valentes gargalhadas ou esboçar um enorme e luminoso sorriso, nada melhor que uma boa comédia, uma música animada e rodearmo-nos de pessoas que se riem connosco dos tudos e nadas da vida.

- Praticar exercício físico.
Ora muito bem, a par dumas gargalhadas também o exercício físico ajuda a libertar as hormonas da felicidade (ou do prazer; isso agora depende do exercício).
Aparentemente rir parece mais fácil. E podemos fazê-lo em qualquer lugar.
No entanto, trabalhar os músculos e o ritmo cardíaco tem um efeito mais duradouro na garantia de felicidade.
Isto é mais um fantástica descoberta. Talvez os ginásios até possam usar esta base para angariarem mais pessoas. Aliás, essa poderia ser a derradeira campanha de marketing que faltava e a motivação para a inscrição no ginásio não passar do mês inicial - e mais meia dúzia de vezes só para dizer que se lá se põe os pés.
Bem, mas uma coisa que (a maioria) dos ginásios não têm e que - de acordo com os artigos científicos - é mais benéfico, é a realização duma actividade ao ar livre. O nosso pequeno país à beira-mar é rico em locais onde podemos dar uso a este conselho.

- Aprender a desligarmo-nos.
Ser felizes no dia-a-dia. A solução somos nós próprios e a atitude que escolhemos ter perante a vida. Cultivar pequenas actividades que nos dão prazer e ajudam a mente a espairecer.
Dito assim parece tão fácil. Porque será que naqueles dias cinzentos em que temos uma hidra a perseguir-nos (e de cada vez que lhe cortamos a cabeça, nascem duas no seu lugar) não parece ser tão acessível pôr este conselho em prática???
Há quem tente trabalhar numa magnífica descoberta que consiste num botão que se aloca à mente dum humano, através do qual ele liga ou desliga, ou seja, um interruptor no qual podemos estar WORRY/NO WORRY. Isso sim seria genial.
O aprender a desligarmo-nos pode passar por mantermos a mente distraída com inúmeras actividades: quanto mais ocupada estiver, menos pensará nos (pseudo) problemas e hidras que nos perseguem.

- Saber respirar.
Esta acho admirável. É algo que fazemos diariamente em cada momento, algo do qual estamos dependentes para viver, mas – aparentemente – a maioria de nós não sabe como respirar ou não sabe respirar correctamente ou, mais importante, não sabe usar a respiração em seu benefício para se acalmar em momentos de nervosismo ou pânico.
Antes de mais é necessário ter consciência de nós próprios, no nosso corpo e sentir a respiração. Depois é aprender a fazê-lo de forma suave e intensa, sentindo cada partícula de ar a entrar nos nossos pulmões e a percorrer o nosso sangue.
Da respiração à paz interior é apenas um pequeno passo - pelo menos é o que os especialistas dizem.

- Praticar meditação.
E esta é a minha preferida: controlar o pensamento de modo a que nos seja possível a total ausência de pensamento. Creio que de todas é a mais difícil de atingir. A que exige mais disciplina e árduo trabalho.
Entrar num estado de concentração e consciência tal que se consegue apagar todo e qualquer pensamento que assole a nossa mente. Estar consciente. Estar em paz.
Os cientistas dizem que meditar ajuda, simultaneamente, o descanso e a estimulação do cérebro.

Bem, e apresentados os principais métodos para atingir o alienável direito à felicidade, nada melhor do que meditar sobre o assunto e descobrir a melhor maneira de pôr cada um dos conselhos em prática.

Dedicated to the last days of Summer:

segunda-feira, 13 de setembro de 2010

Monteiro dos Milhões

Era uma vez um homem, nascido - em berço de ouro - a 27 de Novembro de 1848, no Rio de Janeiro. Chamava-se António Augusto Carvalho Monteiro e viria a ser apelidado de Monteiro dos Milhões e a dar origem a uma das mais emblemáticas obras de Portugal.
Os seus pais eram portugueses e possuíam uma enorme fortuna, proveniente do comércio de café e pedras preciosas.
Essa grande fortuna permitiu a Monteiro dos Milhões dedicar-se à sabedoria. Começou por embarcar para Portugal para estudar Direito na prestigiada Universidade de Coimbra. Licenciou-se em Leis, mas Monteiro era um homem de ciência.
Possuía uma das mais raras colecções camonianas, um amplo conhecimento de botânica e uma vasta colecção de borboletas. Sempre atento ao progresso, foi o primeiro homem a possuir electricidade em Sintra.
Dizem que era um homem de carácter, com a excentricidade que os Milhões lhe proporcionavam, da qual é exemplo o emblemático relógio Leroy 01.

O Relógio
Trata-se dum relógio projectado por Junod e executado por Charles Piquet, a pedido de Monteiro à casa relojoeira parisiense Leroy em 1897.
Este relógio foi considerado o mais complexo do mundo, arrebatando o Grande Prémio da Exposição Universal de Paris em 1900. Extremamente preciso para a época, o mecanismo de quatro níveis encontra-se fechado numa caixa de ouro onde figuram os signos do Zodíaco.
Esta obra-prima custou 20.000 francos e demorou quatro anos a ser executada.
O relógio foi transportado para Portugal pelo Rei D. Manuel II, também ele cliente da casa Leroy.
O desenho da caixa é de autoria dum dos mais talentosos e emblemáticos Arquitectos e Cenógrafos da época Luigi Manini (que viria a colaborar na elaboração da Quinta da Regaleira) e foi ciselado por Burdin.
A cidade de Besançon adquiriu o relógio aos herdeiros em 1955 pela prodigiosa quantia de 2.000.000 de francos.
Encontra-se actualmente exposto no Museu do Tempo em Besançon, constituindo uma das suas principais atracções.
Além dos mecanismos das horas, minutos e segundos, o Leroy 01 oferece ainda:
• 1 - dia da semana
• 2 - dia do mês
• 3 - calendário perpétuo dos meses e dos anos bissextos
• 4 - milésimo por cem anos
• 5 - fases da Lua
• 6 - estações do ano, solstícios e equinócios
• 7 - equação do tempo
• 8 - cronógrafo
• 9 - contador de minutos com retorno a zeros
• 10 - contador de horas
• 11 - mecanismo de mola
• 12 - toque regulável com som forte, médio e silencioso
• 13 - repetição da hora, dos quartos e dos minutos, com três timbres
• 14 - estado do céu no hemisfério boreal, no momento do dia, indicado pela data (o céu estando animado pelo movimento sideral, isto é, avançando 3 minutos e 56 segundos por dia sobre o tempo médio; a representação do céu e do horizonte de Paris, com 236 estrelas; a representação do céu e do horizonte de Lisboa, com 560 estrelas)
• 15 - estado do céu no hemisfério austral (no meio de um mecanismo de recarga que anima o céu por um movimento de rotação de oeste para este, a representação do céu e do horizonte do Rio de Janeiro, com 611 estrelas)
• 16 - hora de 125 cidades do mundo
• 17 - hora do nascer do sol em Lisboa
• 18 - hora do pôr do sol em Lisboa
• 19 - termómetro metálico centígrado
• 20 - higrómetro de cabelo
• 21 - barómetro
• 22 - altímetro para 5000 metros
• 23 - sistema de acerto do relógio sem o abrir
• 24 - bússola

Não podemos deixar de falar de Monteiro dos Milhões sem referir a Quinta da Regaleira. Situada no ambiente misterioso - e algo fantasmagórico - da Serra de Sintra, os jardins do Palácio da Quinta da Regaleira são uma biografia deste homem.

Quinta da Regaleira
Em 1697 José Leite era o proprietário da propriedade que hoje integra a Quinta.

A propriedade foi comprada por Francisco Albertino Guimarães de Castro em 1715.

Em 1830, na posse de Manuel Bernardo, a Quinta passa a ter a designação actual.

Em 1840 a Quinta foi adquirida por aquela que viria a ser agraciada com o título de Baronesa da Regaleira.
A Regaleira como hoje a conhecemos começa em 1892, ano em que a propriedade é adquirida pelo protagonista da nossa história. A maior parte da construção actual da quinta iniciou-se em 1904, sendo concluída em 1910.

Simbologia
O esoterismo místico judaico, com base na procura de Deus e na experiência da divindade, baseia-se na Lei das Correspondências que tem como objectivo encontrar – através do recurso à analogia – relações simbólicas entre o divino e o terreno, entre o visível e o invisível, entre o Homem e o Mundo.
A passagem de uma a outra dimensão é baseada em cerimónias de iniciação, através de encenações e rituais de carácter mágico, nos quais o neófito recebe o segredo da transmutação, aceita a filiação no grupo de companheiros e acede a um nível espiritual superior.
A Franco-Maçonaria antiga provém das confrarias ou corporações profissionais de pedreiros ou construtores das catedrais medievais. À defesa de interesses profissionais juntavam preocupações de carácter filantrópico, moral e religioso. Os grupos maçónicos organizados em sociedades secretas reuniam-se em lojas. Foram perdendo o carácter exclusivamente operativo e começaram a aceitar membros estranhos ao ofício, mas com os mesmos ideais iniciáticos.
O declínio das confrarias dá origem à Maçonaria Moderna, cujo aparecimento teve lugar em Inglaterra em 1717.
A Maçonaria provocou, praticamente desde o início, a oposição da Igreja Católica, embora muitos dos ensinamentos maçónicos, de inspiração cristã, preconizem a crença nas virtudes da caridade, na imortalidade da alma e na existência de um princípio espiritual superior denominado Grande Arquitecto do Universo.
Crê-se que Carvalho Monteiro acreditava na co-existência de ambas as fés, sendo que tal é bem patente, na Regaleira, sobretudo na Capela da Santíssima Trindade.
Grande parte da simbologia maçónica, sobretudo a dos altos graus, inspira-se em correntes esotéricas tais como a alquimia, o templarismo e o rosacrucianismo.
Todos estes símbolos estão inscritos em diversos locais da Regaleira.
A Alquimia tem por objectivo a transformação (real ou simbólica) dos metais em ouro. As operações alquímicas são realizadas num Atanor, ou seja, num forno alquímico de combustão lenta, com um cadinho e um balão nos quais se pretende espiritualizar a matéria e materializar o espírito. Assim, o propósito da Alquimia é a obtenção da Pedra Filosofal, simbiose entre matéria e espírito, da qual poderia resultar, além da transformação dos metais em ouro, a realização do desejo primordial da Humanidade: o elixir da vida, capaz de proporcionar saúde e eterna juventude. Por esta razão, há quem considere a procura alquímica como uma metáfora da condição humana: a salvação da alma. A Alquimia assumiu, depois do século XVIII, um carácter manifestamente religioso, dedicando-se sobretudo ao estudo das relações espirituais e energéticas entre o Homem (microcosmo) e o Universo (macrocosmo). Aceita-se que o Homem, simultaneamente, faz parte e se funde com o universo que o engloba.
O ambiente da Regaleira assenta num Cristianismo Escatológico: o fim dos tempos. Quer recorramos à lição da escatologia cósmica, que prenuncia o fim do universo e da humanidade, quer nos atenhamos à escatologia individual, que assenta na crença da sobrevivência da alma depois da morte, é a mesma ideia que permanece.

É também um Cristianismo gnóstico, apoiado em discursos míticos e em conhecimentos sagrados que prometem a salvação dos fiéis e o retorno dos espíritos.

Em suma, é um Cristianismo pleno de ideais neotemplárias, associadas ao Culto do Espírito Santo, que encontramos na tradição mítica portuguesa.
Os templários foram monges-soldados, cuja ordem militar, fundada no período das Cruzadas em 1119, visava proteger os lugares santos da Palestina contra o perigo dos infiéis. Os votos de pobreza e castidade não impediram os Cavaleiros da Milícia do Templo de enriquecer e de desempenhar um importante papel económico e político, tanto no Oriente como na Europa. Por esta razão, criaram poderosos inimigos, como o rei Filipe IV de França e o Papa Clemente V, que levaram à perseguição e à extinção da ordem em 1314, sob acusações de blasfémia e imoralidade.

Em 1317, D. Dinis de Portugal afectou os bens dos templários à Ordem de Cristo, que muitos aceitaram como sua sucessora.
Desaparecidos os templários não desapareceu o espírito, baseado na defesa dos lugares sagrados e na luta contra o mal, renasceu em várias correntes e organizações iniciáticas como sendo a afirmação simbólica da sobrevivência da Ordem do Templo. A cruz templária no fundo do Poço Iniciático, a cruz da Ordem de Cristo no pavimento da Capela, bem como todas as outras cruzes dispostas na Capela da Santíssima Trindade, testemunham a influência do templarismo nos ideais de Carvalho Monteiro.
Há ainda, na Regaleira, referências ao movimento Rosa-Cruz. Trata-se duma corrente esotérica iniciada no séc. XVII, de tendência cristã, utilizando os símbolos conjuntos da rosa e da cruz. O movimento propunha reformas sociais e religiosas, exaltava a humildade, a justiça, a verdade e a castidade, apelando à cura de todas as doenças do corpo e da alma. Tornou-se também grau maçónico de várias Ordens.

Carvalho Monteiro tinha o desejo de construir um espaço grandioso, em que vivesse rodeado de todos os símbolos que espelhassem os seus interesses e ideologias. Quis dar vida ao glorioso passado de Portugal, daí a predominância do estilo neomanuelino com a sua ligação aos Descobrimentos. Esta evocação do passado passa também pela arte gótica e alguns elementos clássicos.

O bosque que ocupa a maioria do espaço da Quinta, não está disposto ao acaso. Começando mais ordenada e cuidada na parte mais baixa da quinta, mas, sendo progressivamente mais selvagem até chegarmos ao topo, esta disposição reflecte a crença no primitivismo de Carvalho Monteiro.

O Patamar dos Deuses é composto por nove estátuas dos deuses greco-romanos (Fortuna, Orfeu, Vénus, Flora, Ceres, Pã, Dionísio, Vulcano e Hermes), sendo que cada um representa cada uma das partes do ciclo da vida desde o início até ao final, num sucessivo ciclo. Existe também uma estátua dum Leão - que já existia aquando da aquisição da Quinta por Carvalho Monteiro - mas que foi relocalizado, como símbolo de protecção, representado assim o guardião de toda a Quinta.

O Poço Iniciático é constituído por uma galeria subterrânea com uma escadaria em espiral, sustentada por colunas esculpidas. A escadaria é constituída por nove patamares separados por lanços de quinze degraus cada um, invocando referências à Divina Comédia de Dante e que podem representar os nove círculos do Inferno, do Paraíso, ou do Purgatório. No fundo do poço está embutida em mármore, uma rosa dos ventos sobre uma cruz templária - que é o emblema de brasão de Carvalho Monteiro e, simultaneamente, indicativo da Ordem Rosa-cruz.

O poço diz-se Iniciático pois acredita-se que era usado em rituais de iniciação à maçonaria. A simbologia do local está relacionada com a crença que a terra é simultaneamente a Mãe dondo provém a vida e a sepultura, para onde se voltará. Muitos ritos de iniciação aludem a aspectos do nascimento e morte ligados à terra, ou renascimento.
O poço está ligado por várias galerias ou túneis a outros pontos da Quinta, a Entrada dos Guardiães, o Lago da Cascata e o Poço Imperfeito. Estes túneis estão cobertos com pedra importada da orla marítima da região de Peniche, pedra que dá a impressão de um mundo submerso, um mundo infernal.

A Capela da Santíssima Trindade possui uma bela fachada baseada no revivalismo gótico e manuelino. Nela estão representados Santa Teresa d'Ávila e Santo António. No meio, por cima da entrada está representado o Mistério da Anunciação (o anjo Gabriel dizendo a Maria que ela vai ter um filho do Senhor) e Deus Pai entronizado.
No interior: no altar-mor vê-se Jesus, depois de ressuscitar, a coroar uma mulher que pode ser Maria ou Madalena. Do lado direito novamente Santa Teresa e Santo António, desta vez em painéis de mosaico. Do lado oposto um vitral com a representação do milagre de Nossa Senhora da Nazaré. No chão estão representados o Globo Celeste e a Cruz da Ordem de Cristo, rodeados de estrelas de cinco pontas.


A Torre da Regaleira foi construída para dar a quem a sobe a ilusão de se encontrar no eixo do mundo.


O edifício principal da Quinta propriamente dita ou Palácio é marcado pela presença de uma torre octogonal. A decoração esteve a cargo do escultor José da Fonseca.
Em toda a arquitectura do local está patente o perfeccionismo e trabalho árduo de Manini.

O Túmulo
Monteiro dos Milhões mandou também construir o seu túmulo a Manini.

O seu jazigo (situado no Cemitério dos Prazeres) – tal como a Quinta da Regaleira - está imerso em simbologia.

A porta do jazigo era aberta com a mesma chave que abria a Quinta da Regaleira e o seu palácio em Lisboa (situado na Rua do Alecrim).
O jazigo está localizado do lado esquerdo na alameda de quem entra no Cemitério, ocupando uma área com o lugar, o tamanho e a forma do secretário num templo maçónico, referenciando a igreja como oriente.
A porta do jazigo possui uma abelha gravada na aldraba, carregando uma caveira.
Diz quem sabe que: a abelha - organizada e empenhada – representa a disciplina do maçom.
O gradeamento, das traseiras do jazigo, ostenta a simbologia do vinho e do pão, o espírito e o corpo.

Corujas e papoilas dormideiras ornamentam o jazigo – simbolizando a sabedoria e a morte.

A sua jornada terminou a 24 de Outubro de 1920 em Sintra.
Em 1942 a Quinta foi vendida a Waldemar d’Orey que, sem alterar de modo relevante o que já tinha sido realizado, procedeu a obras para adaptar a Quinta, de modo a acolher a sua enorme família.

Em 1987 a Quinta da Regaleira é vendida à empresa japonesa Aoki Corporation, deixando de ser utilizada como habitação, mas permanecendo cerrada ao público.
Finalmente, em 1997 a Quinta da Regaleira é adquirida pela Câmara Municipal de Sintra, sendo iniciados trabalhos de recuperação deste valioso património.
Actualmente, a Quinta da Regaleira - enquadrada no mágico cenário da Serra de Sintra - está aberta ao público, sendo anfitriã de variadas actividades culturais e testemunho da vida duma lenda verdadeiramente inspiradora.



Nota: Este post é baseado em diversos artigos associados ao tema, bem como na visita guiada à Quinta da Regaleira.